Novidades

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Voltando Às Velhas Redes

Por Pastor Eliy Barbosa
Três anos haviam se passado desde o primeiro encontro de Pedro com Jesus. Pedro pescava quando recebeu o convite do Mestre: “De agora em diante serás pescador de homens”. A reação foi imediata: Pedro, Tiago e João arrastaram os barcos para a praia, deixaram tudo e O seguiram (Lucas 5.10-11).

Ele foi testemunha de inúmeros milagres, preciosos ensinos e indescritíveis manifestações de amor. Mas agora Pedro havia desistido. Pedro desanimou. Pedro voltou a pescar (João 21.1-9). O quê tinha acontecido?

Pedro havia sido aquele homem a quem Jesus disse: “Você é Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (Mateus 16.16-18). Jesus lhe disse isso porque Pedro havia feito a confissão de que Jesus Cristo é o Senhor. E esta revelação lhe foi dada pelo Espírito de Deus. Pois somente através do Espírito é que alguém pode confessar: Jesus é o Senhor (I Coríntios 12.3).

Como após receber esta revelação ele pôde desanimar? Logo Pedro que estava destinado a se tornar líder dos apóstolos e líder da Igreja.

Mas Pedro foi o primeiro a desistir. Ele deixou o chamado e voltou à antiga profissão, as velhas redes, dizendo: “Eu vou pescar” (João 21.3). O que Pedro estava realmente dizendo era: “Eu simplesmente não agüento isso. Para mim não dá mais”.


1. Compreensão errada de Jesus!

Logo após a Sua ressurreição, Jesus apareceu na estrada de Jerusalém para a cidade vizinha Emaús. Ali se encontrou com dois de seus discípulos, que estavam abatidos por causa de Sua morte (Lucas 24.15-16). Enquanto eles conversavam e discutiam, Jesus chegou e começou a caminhar com eles. Olhando para o jeito triste deles, lhes perguntou sobre o que conversavam.

Ora, Jesus sabia por que estavam tristes, sabia sobre o que conversavam! Mas o Senhor não estava brincando com os sentimentos daqueles discípulos. Ele estava fazendo com que expusessem seus sentimentos reprimidos, revelassem as profundezas da alma, verbalizassem a incredulidade do coração: “... a nossa esperança era que fosse Ele quem iria libertar o povo de Israel. Porém já faz três dias que tudo isso aconteceu” (Lucas 24.21).

Assim como Pedro, eles tinham uma visão, uma compreensão errada de Jesus. Esperavam que Jesus fosse um líder revolucionário, mas em termos políticos. Eles achavam que Jesus empunharia uma espada, atacaria as famílias romanas e libertaria todo o povo de Israel.

Cerca de quarenta dias depois, quando Jesus foi levado ao céu, os discípulos voltaram ao assunto: “É agora que o Senhor vai devolver o Reino para o povo de Israel?” (Atos 1.6). Eles não haviam entendido que Jesus veio para ser o Senhor e o Salvador de todos os corações. Pedro e os demais discípulos tinham uma compreensão errada de Jesus.

2. Medo nas provações!

Uma grande e terrível provação se aproximava de Pedro. Jesus o havia prevenido sobre oque aconteceria naquela noite da ceia: “antes que o galo cante, você dirá três vezes que não me conhece” (João 13.38). Mesmo assim Pedro achava que estava pronto.

Poucas horas antes, eles tinham atravessado o riacho de Cedrom e Pedro ousadamente havia sacado de sua espada para lutar contra um grupo de soldados que vinha prender a Jesus.

Agora Pedro estava sentado em meio aos guardas, se aquecendo em volta de uma fogueira no pátio da casa do sumo sacerdote (Lucas 22.55). Foi quando uma empregada o reconheceu (Lucas 22.56). Pedro temeu e depressa respondeu: “Mulher, eu nem conheço esse homem!” (Lucas 22.57).

Havia começado a grande provação de Pedro. Enquanto ro. do a grande provaçem!" Pedro ousadamente sacou de sua espada para lutar contra um grupo de soldados.o isso Jesus estava diante dos seus acusadores.

Um pouco depois outra pessoa o reconhece, e Pedro rapidamente responde: “Homem, eu não sou um deles!” (Lucas 22.58). Finalmente, cerca de uma hora depois, Pedro é novamente reconhecido. Ele nega e ofende Jesus dizendo aos acusadores: “Juro que não conheço esse homem de quem vocês estão falando! Que Deus me castigue se não estou dizendo a verdade!” (Marcos 14.71).

Apenas algumas horas antes Pedro estava empunhando uma espada em defesa de Jesus. Mesmo sem ter nenhuma chance de vencer. Mas agora aquele homem que negava a Jesus não era nem de longe uma sombra do intrépido Pedro. Aquele era um homem totalmente arrasado. Um homem covarde, amedrontado diante da provação.


3. Insegurança: somos influenciáveis!

No lago da Galiléia junto com Simão Pedro estavam Tomé, Natanael, Tiago, João e mais dois discípulos. Sete dos onze discípulos de Jesus estavam reunidos ali (João 21.2). Quando Pedro disse aos outros: “Eu vou pescar” estes discípulos se dispuseram: “Nós também vamos pescar com você!”

Todos somos sujeitos a influência. O que os discípulos estavam dizendo era: “Pedro sabe o que está fazendo. Nós esperávamos que ele fosse um líder maravilhoso. Mas ele desistiu. Se ele desistiu nós também podemos desistir”.

Temos a péssima tendência de tomar aquilo que é negativo nos outros e trazer para nós. Veja a confissão de Isaías: “Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios são impuros, e moro no meio de um povo que também tem lábios impuros” (Isaías 6.5). Isaías confessava não apenas o seu pecado, mas também que ele vivia a influência do povo, a influência negativa.

E quem é que não vive hoje? Nós não estamos imunes as coisas que nos cercam. Temos uma tendência pecaminosa. Por isso a advertência de Jesus: “Vigiem e orem para que não sejam tentados. É fácil querer resistir à tentação; o difícil mesmo é conseguir” (Marcos 14.38).

Mas Pedro foi restaurado!

Pedro havia passado pelo processo descrito por Jesus na Parábola dos Três Empregados (Mateus 25.14-30): 1) Ele tinha uma visão, uma compreensão errada do seu Senhor, de Jesus; 2) Pedro foi tomado por um espírito de covardia em sua provação; 3) Pedro e os discípulos não se sentiam seguros. (...)

De forma semelhante, Pedro e os discípulos haviam recebido a maior revelação de todos os tempos: a ressurreição de Cristo! No domingo à tarde eles estavam escondidos, com medo dos líderes judeus. Os discípulos haviam perdido a esperança naquele que disse “Eu Sou a vida” (João 11.25), pois viram quando Ele caminhou para a morte (João 19.30). Agora, entre portas fechadas, Jesus aparece no meio deles e os desafia: “Que a paz esteja com vocês!” (João 20.19).

Sim, eles deviam ficar em PAZ, pois seriam enviados por Jesus. Em plena glória da ressurreição, Jesus soprou sobre eles e disse: “Recebam o Espírito Santo” (João 20.22).

Uma nova comissão, uma nova unção, poder para vencer o pecado. Era uma revelação tremenda demais para eles! Tomé se desespera ao ouvir estas verdades da boca dos discípulos (João 20.24-29), até que um encontro com Jesus rompe a sua incredulidade ao reconhece-Lo. “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20.28) é a confissão de todo homem que se encontra com Jesus.

Agora Pedro desistiu. O que tinha acontecido? Ele já havia falhado em função de seu orgulho, da sua auto-justificação (João 13.37). Era como se agora Pedro não quisesse correr o risco com essa revelação. Pedro passou três anos ao lado de Jesus e não havia entendido o Seu ministério. E agora a revelação da cruz era mais do que podia agüentar. Ele achou que era melhor com velhas redes do que com as revelações de Deus!

Assim como o servo da parábola, Pedro se abateu espiritualmente. O que fazer com o que o Senhor lhe tinha dado?

Por não compreender o caráter de Jesus, por temer as provações e se sentir inseguro como líder, ele recuou para os seus antigos caminhos. O tempo que antes era dedicado a seguir Jesus, agora era desperdiçado em velhas redes.

Você acha que jamais irá compreender as coisas de Deus para a sua vida? Que se esforça, mas sempre se sente vencido pelos medos, pela dúvida, pela incerteza? Que o Senhor dá instruções mais claras aos outros, Ele fala com os outros servos, mas não fala com você? Que apesar de seu jejum, sua oração, as leituras da Palavra, você não tem feito progressos? E você pensa em buscar outra alternativa, como “vou pescar”, para sair desta situação de seguir e nunca alcançar Jesus?

Mas foi ali, diante das velhas redes e da antiga vida que Jesus apareceu novamente aos discípulos. Jesus sempre é atraído para a maior necessidade, a dor mais angustiante, o desânimo mais profundo. Por isso Ele foi até Pedro e os discípulos.

Naquela praia onde pescavam, logo após um jantar na presença de sete discípulos mudos, Jesus perguntou: “Simão, filho de João, você me ama mais do que estes outros?” (João 21.15). Jesus não estava provocando Pedro pelo fato dele ter desistido. Pedro estava na verdade recebendo uma nova revelação, uma revelação para nunca mais desistir.

E que revelação era esta? A força para seguir Jesus em qualquer situação era o amor! O amor acima de qualquer medo. O amor acima de qualquer dúvida. O amor acima de qualquer situação. O amor a Jesus por aquilo que Ele é e não por aquilo que você acha que Ele está fazendo.

Jesus fez três vezes essa pergunta a Pedro. Em cada vez que ele respondia “sim, o senhor sabe que eu o amo, Senhor!”, Jesus acrescentava: “Tome conta das minhas ovelhas!” (João 21.15-17).

O Mestre não estava lembrando para que Pedro vigiasse para não O negar novamente. Nem o incentivando para que orasse pedindo forças para nunca mais desistir. Muitos menos estava cobrando uma leitura constante das Escrituras para que conhecesse melhor quem Ele era. A ordem agora era: “Tome conta das minhas ovelhas!”.

Jesus estava restaurando a vida de Pedro. Mais do que isso, também dizia como ele poderia se prevenir de trancar Deus em um armário. Muitas pessoas procuram ouvir a Palavra de Deus. Sim, elas acham bonito o que dizem para elas: “Eu li ‘Tire Deus do armário’ e foi incentivador”. Mas para elas, é tão bonito quanto uma música romântica ou uma pintura cheia de ternura.

Elas ouvem o que a Palavra de Deus diz, porém não fazem nada daquilo que aprenderam. Não tiram Deus do armário. Nem se quer chegam perto da porta do armário. Não conseguem sentir a presença poderosa de Deus, o Senhor, querendo passar pela porta que fecharam. E toda pessoa que mantém escondido Deus dentro de um armário, acaba humilhada e envergonhada.

Mas Pedro entendeu a mensagem de Jesus: transbordar o amor de Deus em nossa vida até que ele chegue a outras pessoas. Pedro abriu a porta. Pedro tirou Deus do armário. Ele escancarou aquela porta que quando foi fechada só lhe trouxe o mal.

E essa é a mensagem de Jesus para a sua vida:

“Se você me ama, esqueça os seus erros e fracassos. Levante-se, abra a porta e volte para Mim. Eu te restauro. É possível recomeçar. Desista de viver para as suas falhas, para as suas dúvidas, para os seus problemas. Pare de se concentrar em fazer as suas próprias coisas. Seja corajoso, não tenha medo e nem se deixe perturbar pelo medo. Se você me ama, invista todas as suas forças na vida cristã: apascente as minhas ovelhas. Assim como o Pai me enviou, Eu também envio você. Estou com você todos os dias.”



Trecho do livro "Tire Deus do Armário" do Pastor Eliy Barbosa, publicado pela Igreja Plenitude

Seja o primeiro a comentar

Postar um comentário

Download de Livros

Eliy Barbosa em

Para Saber +

Igreja Plenitude do Poder de Deus

Igreja Plenitude do Poder de Deus
Ministério Pastor Eliy Barbosa