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quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Benção dos Limites

Por Pastor Eliy Barbosa

No colo do Pastor, Pureza estava com seus olhos fechados. Ela parecia ter sido transportada para um lugar onde era feliz e sua vida era extremamente fácil. Pureza se permitia ser examinada pelo Pastor, purificada por Ele, limpa de toda imundície do corpo e do espírito. Abrindo levemente os olhos, com um delicioso sorriso nos lábios, ela me sussurrou:

- Que Pastor maravilhoso temos agora... Deste Pastor eu nunca vou me afastar! –
Pureza estava toda agradecida pela misericórdia e pela purificação

A purificação que o Pastor estava fazendo em nós caminhava em todas as direções. Ia além de nossa aparência, passava por nossas emoções, pensamentos e lembranças. Ele colocou Pureza no chão e nos levou para sermos alimentadas.

O Pastor providenciou uma maneira de nos fazer fortes para resistir qualquer jornada. Ele matou a minha sede e saciou a minha fome trazendo de volta forças para viver. Seu alimento e Sua água provavam que ninguém ficou tanto tempo no deserto que não possa ser curado, perdoado e restaurado. Percebi então que a minha saúde e força dependeriam disso: do sustento que vinha de Suas Mãos.

Agora no sentíamos dignas o suficiente para sermos guiadas gentilmente através da porta do aprisco, para junto das demais ovelhas. Pelos meus cálculos devia haver umas cem ovelhas por ali... Pelo que soube, a maioria foi comprada recentemente, como eu e Pureza. Elas também estavam eufóricas:

- Ele satisfez minha sede... dizia uma.

- Ele me alimentou com Suas Mãos... dizia outra.

Também comentavam que no dia seguinte o Pastor iria nos levar a um novo abrigo. Aquele era apenas temporário, mas o novo possuía muros altos, largos e fortes. Todas tentavam imagina tudo o que iriam viver, naquele outro lugar, junto ao Pastor. Eu também teria que aprender a seguir o Pastor acreditando que existia um lugar preparado para mim. Um lugar muito além do que os olhos hoje podiam alcançar.

Logo que a noite chegou, Pureza e as demais ovelhas se entregaram ao sono, como não faziam há muito tempo... Sabíamos como era impossível descansar no deserto durante o forte calor do dia ou dormir no incrível frio da noite. E como as trevas das noites densas e tristes do deserto me intimidavam! Como seus ruídos me perturbavam!

Mas naquela noite era diferente... A lua estava branca como a mais pura lã. Iluminados pelo luar, os toscos muros do aprisco projetavam longas sombras. Normalmente o medo atribui às pequenas coisas grandes sombras: tudo o que fica escondido na escuridão forma sombras maiores do que realmente são. Apesar disto, sentia uma profunda paz. Nenhum medo... Nenhum perigo... Nenhuma perda... Já no deserto quantas vezes as sombras da noite acabaram juntas aos meus medos e me aprisionaram. Porém, no aprisco era tão verdadeiro o sentimento de paz mais profundo, intenso e consistente que já havia sentido em muito, muito tempo mesmo.

O aprisco era um lugar comum. “Encontrei minha paz aqui, no seu abrigo...” Entretanto de alguma maneira eu sabia que este era o lugar onde eu devia estar, enquanto tudo mais deveria ficar no passado. E como explicar essa sensação de proteção? Isso era algo que nunca tive! Proteção somente por ter a presença do Pastor.

Numa época que tanto se fala em liberdade, intimamente cada uma de nós anseia por proteção. Pois Belial nem sequer percebia quando alguma ovelha teimosa fugia do rebanho.

Bem no fundo eu sabia que o Pastor estava nos ensinando valores que fugiam às coisas exteriores. “É sobre confiança, fé!” Aquele lugar todo estava adornado com a simplicidade do Pastor. Sim, Ele veio até mim em minha miséria e tristeza. Agora eu me sentia enriquecida com a purificação e protegida com a Sua presença.

E como era bom ter um muro, um limite! No deserto não existem muros, referências ou limites. Para todos os lados que se olha se tem a impressão de que se pode fazer qualquer coisa, ir para qualquer direção, que não fará diferença. Lá você se torna um cego, pois acha que por ter liberdade de escolha, pode usá-la de qualquer maneira. E acaba usando a liberdade baseado unicamente em seu desejo e vontade, desprezando qualquer tipo de autoridade ou regra.

Mas quanto mais andamos, pensando que tudo é nosso, mais a canseira, o desânimo e a solidão nos invadem. Então damos dez mil passos para frente, para descobrir que tudo que se conseguiu foi dar um passo para trás. E esta falsa impressão de não termos limites, nos leva andar até a direção da morte.

No aprisco era diferente: o muro evocava em mim uma crescente fome pela realidade. Toda vez que olhasse para o muro saberia qual era o meu lugar. E vivendo dentro destes limites estaria sempre segura, pois eles me afastariam dos perigos e me aproximariam do meu Pastor...

Como queria desfrutar de tantas coisas, da minha riqueza e da Sua simplicidade, das minhas escolhas e de Sua purificação, da minha liberdade e de Seu muro.. Mas pelo pouco que havia visto, em meu coração eu sabia que o Pastor faria prevalecer as Sua vontade através do convencimento - a Seu tempo e à Sua maneira. Pensando nestas coisas, suavemente o sono me abraçou, doces sonhos se misturaram com a realidade e adormeci.



Trecho do livro "A Voz da Ovelha" de Pastor Eliy Barbosa - Igreja Cristã Plenitude

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