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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Compradas

Por Pastor Eliy Barbosa

Parecia ser apenas mais uma longa tarde quente, cheia de poeira e moscas... O que ninguém podia imaginar era que a contagem regressiva da misericórdia já havia começado. A vida estava para chegar! Seria o último dia de escravidão e eu não sabia.

No horizonte pareceu que algo se moveu. No princípio apenas consegui visualizar uma silhueta. Ou seria mais uma miragem provocada pelo calor? E o que isso importava? Devia ser algum fantasma vagando em meio aquela imensidão.

Mas logo aquela figura desfocada começou a ganhar forma. “Uau... Parece um ser celestial...” Tive a impressão que o Seu rosto brilhava como a força do sol! Não... À medida que se aproximava, a cena mudava... Então vi que era apenas um homem... Um homem comum, com traços estranhamente familiar, com a aparência de um trabalhador... Mas com um olhar incomum que inspirava confiança!

Seus olhos redondos eram meigos e me atraíam... Penetravam como labaredas de fogo. Era como se Ele pudesse ver minhas dores e me consolar, isso tudo apenas com o olhar. Não, eu nunca havia lhe visto, mas Seu olhar me dizia que Ele sempre me conheceu.

“Não, não e não!” Devia ser tudo fruto da minha imaginação provocado pelo calor estonteante. E com Belial gritando, quem poderia ficar lúcido?

Aquele estranho chegou no momento certo, pois Belial mais uma vez estava descontando seus problemas em nós. Belial não percebeu, mas a cada segundo aquele homem se aproximava. Parecia se satisfazer tanto em nos humilhar que simplesmente ignorou a chegada deste estranho.

- Venda-me estas ovelhas!

O que pareceu à Belial uma simples forma de chamar a atenção, soou para nós como um grito de liberdade, um grito que senti ecoar em meu coração. Belial não pôde deixar de levantar os olhos incrédulos para aquele louco que queria comprar umas ovelhas tão ruins como nós.

Mas vendo a seriedade no rosto daquele homem, um sorriso malicioso tomou conta de seus lábios. Era possível ver o brilho da ganância em seus olhos ao começar a fazer os cálculos de quanto poderia cobrar. Belial devia estar concluindo que alguém que se interessa por ovelhas como nós, não deveria ser muito inteligente:

- Quero 60 moedas de prata pelas duas...

Realmente Belial era um cão devorador, insaciável. Com esta quantia aquele estranho poderia comprar um rebanho inteiro! Indignada, Pureza balançou a cabeça em sinal de desaprovação. Surpreendentemente aquele estranho, com a mesma sinceridade na voz, aceitou:

- Tome suas moedas. Eu fico com estas duas.

O sorriso malicioso de Belial deu lugar a uma risada de surpresa, como se estivesse diante de uma criança ingênua. Mas naquele momento nenhuma de nós tinha noção da grandiosidade daquele ato e de suas maravilhosas consequências.

Admirada com uma descisão tão rápida, olhei para Pureza e a encontrei paralisada. Vi que o olhar de Pureza congelou sobre aquele homem. Era como se o enorme deserto ao seu redor estivesse desaparecendo, e tudo quanto conseguisse enxergar fosse aquele homem. De repente, Pureza berrou de alegria, cheia de gratidão por pertencer a um Pastor tão rico, jovial e decidido.

- Até que enfim estamos livres!

Ela gritou enquanto saltitava sem parar...

- Calma Pureza...

Alguma coisa me dizia que além de pular ela estava prestes a tagarelar...

- Você está me deixando tonta!

- Mas você não está feliz, Fiel?

Fui obrigada a chamar-lhe a atenção:

- Pureza, você deveria se chamar ‘ingênua’... Claro que estou feliz, mas devemos tomar cuidado! Às vezes a solução pode ser pior que o problema!


Minha frase acabou soando com um forte conteúdo de juízo. Na verdade com um juízo que não intencionei... Será que Pureza também...

- Ora, Fiel. Ninguém pode ser pior que o nosso antigo pastor Belial. Este Pastor parece ser manso e humilde... Viu os Seus olhos?
Algo dentro de mim estremeceu. Sentia que qualquer noite se tornaria dia através daqueles olhos. Seus olhos possuíam um brilho que parecia refletir uma luz que vinha de dentro. “O meu velho e pecaminoso orgulho...” Mas o meu orgulho não me deixou voltar atrás. E para não atrapalhar a alegria de Pureza, me calei.



Trecho do livro "A Voz da Ovelha" de Pastor Eliy Barbosa - Igreja Cristã Plenitude

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